Peça do Mês de Julho de 2016

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Peça do Mês de Julho de 2016

Peça do mês – Julho
Maré Baixa
Óleo sobre Madeira
1865
Tomás da Anunciação
As./ Dat: “Anunciação/1865 (canto inferior direito)
19 cm x 26,4 cm
CP – MA
Inv. Nº 85.245/3

O pintor Tomás José da Anunciação nasceu em Lisboa em 1818. Frequentou a Aula de Arquitectura da Sala do Risco do Arsenal. A sua carreira inicia-se como desenhador de estampas no Museu de História Natural do Palácio da Ajuda. Frequentou a Academia de Belas-Artes de Lisboa entre 1837 e 1844. A obra de Anunciação é profundamente marcada pela pintura de costumes, por influência da pintura de Roquemont, que visitou no Salão da Academia, em 1843. Atraído pela pintura ao ar livre, assume-se como um pintor de paisagem. Em 1852 ingressou como professor de Paisagem na Academia de Belas-Artes, chegando a director em 1878. Foram-lhe atribuídas várias medalhas entre 1862 e 1874, por parte da Sociedade Promotora das Belas-Artes. Agraciado com a medalha de ouro, na Exposição de Madrid, em 1871, professor de pintura da rainha D. Maria Pia e director da Galeria de Pintura do Palácio Real da Ajuda, em 1867. Faleceu em 1879, na sua casa, na Rua dos Mouros, Nº 64, em Lisboa. Cinco anos após a sua morte, a Academia Real de Belas-Artes cria o prémio Anunciação destinado a encorajar os artistas a seguirem a sua obra.

Na produção pictórica do artista há lugar para a realização de vários quadros, estes geralmente óleos sobre madeira, que são associados aos elementos recolhidos no estudo do natural. Na Casa dos Patudos existe um conjunto importante dessas obras, alusivas ao Ribatejo, lugar onde Tomás da Anunciação fazia grandes digressões. As pequenas tábuas, datadas de 1856, foram agrupadas por José Relvas, numa composição de seis peças. A obra Maré Baixa representa as margens do rio Tejo, no período de maré baixa, quando o recuo do rio deixa ver o areal permitindo quase a passagem de uma margem para a outra. À esquerda aparece-nos um campino a descansar sentado num marco, com o cavalo preso pelas rédeas, certamente depois de ter saciado a sede no bebedouro fronteiro.

Do lado esquerdo da composição, duas mulheres falam, uma delas levando um cântaro à cabeça e a outra um cesto no braço, junto ao chafariz e uma árvore. A composição é acompanhada por arvoredo que nos deixa avistar, ao longe, uma pequena aldeia. A paleta é dominada pelas cores: azuis, castanhos, verdes e brancos que são as mais utilizadas neste tipo de pintura.

O rio Tejo e o areal, ao centro, dominam a composição. Ao fundo os barcos, cúmplices, do rio fazem o trajecto da faina. As silhuetas humanas, tal como as dos barcos, acompanham o percurso do rio e valorizam a perspectiva.