Peça do Mês – Janeiro 2018

“Gentes da nossa terra” – Ciclo de Exposições
28 Dezembro, 2017

A Conversão de São Paulo

Óleo sobre tela

Domingos António Sequeira

Século XVIII

126 cm x 165 cm

CP – MA

Inv. Nº 84.1271

Neste mês de Janeiro de 2018, apresentamos mais uma obra da colecção da Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça. Esta obra é de Domingos António de Sequeira, pintor nascido em Belém, Lisboa, em 1768, no seio de uma família modesta. Aos 13 anos, inscreveu-se na Aula Régia de Desenho e Figura da Casa Pia de Lisboa. Durante 5 anos estudou desenho e só depois se dedicou à pintura. Em 1788, aos 20 anos, com uma bolsa concedida pela rainha D. Maria I, partiu para Roma onde cumpriu o período mais decisivo da sua formação artística fazendo o mestrado em composição e pintura.

Domingos Sequeira regressa a Portugal no final de 1795. Após o regresso ao nosso país, trabalhou para a família real, foi recebendo encomendas de vários nobres, principalmente ligados à família do Marquês de Marialva. Em 1802, tal como Vieira Portuense, é nomeado pintor da corte, tendo participado nos trabalhos de decoração do Palácio Nacional da Ajuda.

Domingos Sequeira toma posições contraditórias durante as convulsões políticas do início do século XIX, que o levam mesmo a ser acusado de traição. Quando a situação se complica, Sequeira retira-se para um exílio em França. Após a passagem por Paris, Domingos Sequeira regressa a Roma onde viria a falecer, em 1837.

A pintura representa a Visão de São Paulo na Estrada de Damasco (Conversão de São Paulo). Este último encontra-se deitado no chão, meio-erguido, olhando para o céu, onde um clarão ilumina toda a cena. Segundo um episódio bíblico, este seria a voz de Cristo. Os seus homens cercam-no alarmados, erguendo os braços, alguns tentando segurar os seus cavalos. Ainda segundo a Bíblia, aquando deste episódio, São Paulo terá ficado cego. As tonalidades da pintura são ofuscadas pelo clarão e as cores dos trajes são suaves.

A obra foi pintada em Roma para o exame final do artista e adquirida por José Relvas em 1909.